quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

A estratégia de reeleição de Barack Obama

Eleição presidencial nos EUA no ano que vem. E, querendo ou não, os resultados dessa eleição vão influenciar nossas vidas. Os Estados Unidos são a maior economia do Planeta e construíram o maior poder bélico jamais visto na Historia da humanidade.

Muitos falam, com certo prazer, do declínio do poder americano. Não é por nada. O histórico do intervencionismo e abuso de poder dos Estados Unidos é especialmente evidente na América Latina. Mesmo assim, não sei se trocaria os Yankees pelo Dragão Chinês. De qualquer maneira, esta troca de bastão ainda está longe de acontecer e, até lá, é bom acompanhar de perto o que esta acontecendo na América do Norte. Principalmente porque não há poder mais instável do que um poder em declínio. Por isso, decidi traduzi para vocês, periodicamente, algum texto ou trecho que possa elucidar as opções ideológicas, os candidatos e o mais provável resultado da eleição de novembro 2012.

Começamos com a estratégia de reeleição de Barack Obama.

Obama chegou à Casa Branca no dia 20 de janeiro de 2009 na crista de uma onda de otimismo. Para a maioria dos Americanos qualquer pessoa seria uma opção fantástica em comparação com o desastre que foi George Walker Bush. Mas Obama era muito mais que isso: o primeiro presidente negro, alguém de fora do sistema que prometia injetar ética e bom senso no processo político, um homem que transcendia às classes e raças e encarnava o Sonho Americano.

Três anos depois, pouco sobrou desse otimismo. Desgastado por uma depressão econômica, altas taxas de desemprego e uma virulenta oposição do partido Republicano, que praticamente paralisou o processo político, Obama tem uma taxa de aprovação que gira em torno dos 43%. Baixa demais para quem gostaria de permanecer na Casa Branca.

Mas Obama tem uma carta na manga: a rigidez ideológica de seus adversários.

Em sua oposição sem tréguas ao governo de Obama, sem fazer nenhum compromisso,o partido Republicano se rendeu a uma vertente radical do liberalismo econômico. Uma vertente que diz que qualquer intervenção no mercado livre é ruim, que o governo não tem outro trabalho a não ser proteger o direito à vida e à propriedade. Nessa visão, a atual crise econômica não é consequência de um mercado financeiro desgovernado que atolou o mundo em dividas. Muito ao contrário, seria exatamente o excesso de regulamentação governamental que teria sufocado a iniciativa privada.

Na semana passada, em um discurso na simbólica cidade Osawatomie, Barack Obama deixou claro que é atacando essa ideologia que ele pretende conquistar um segundo mandato no escritório oval. Ai vão trechos de seu discurso:

"Isso não é um simples debate político. Essa é a questão definidora de nossos tempos. Este é o momento vai-ou-racha para a classe média e para todos aqueles que estão batalhando para entrar na classe média. Está em jogo se este será um país onde trabalhadores poderão ganhar o suficiente para criar uma família, acumular uma modesta poupança, possuir uma casa, e garantir sua aposentadoria...”

Theodore Roosevelt* sabia que o livre mercado nunca foi uma licença para tomar o que quiser de quem quer que seja. O mercado só funciona quando existem regras de trânsito que garantem que a concorrência seja justa, aberta e honesta. Foi por essa causa que ele quebrou os monopólios, forçando as empresas a competirem por seus clientes com melhores serviços e melhores preços. E hoje em dia, essas empresas ainda precisam competir. Ele lutou para garantir que as empresas não pudessem lucrar com a exploração de crianças, ou com a venda de alimentos ou remédios que não fossem seguros. E hoje, as empresas ainda não podem...”

“Agora, assim como nos tempos de Teddy Roosevelt, há certa galera em Washington que, nas ultimas décadas, respondeu ao nosso desafio econômico com a mesma e antiga ladainha. O mercado vai cuidar de tudo, dizem-nos. Basta cortar mais regulamentações e mais impostos – especialmente para os ricos – para nossa economia crescer mais vigorosamente. Claro, haverá vencedores e perdedores. Mas se os vencedores se sairem muito bem, empregos e prosperidade acabarão sobrando para todos os outros. E mesmo que esta prosperidade não transborde, eles argumentam, esse é o preço da liberdade...”

“É uma teoria simples – uma que condiz com nosso robusto individualismo e saudável ceticismo a governo demais. Uma teoria que cabe num bordão.”

“Mas aqui está o problema: ela não funciona. Ela nunca funcionou. Não funcionou quando a empregaram na década antes da Grande Depressão. Não foi ela que levou ao incrível boom do pós-guerra nos anos 50 e 60. E ela não funcionou quando tentamos implementá-la na última década...”

“Simplesmente não podemos retornar a esta vertente econômica do cada um por si. Se é que estamos comprometidos a reconstruir a classe média de nosso país.”

*Em 1910, o então presidente Theodore Roosevelt, iniciou seu ataque aos grandes monopólios americanos com um discurso histórico na mesma cidade de Osawatomie.

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