segunda-feira, 5 de novembro de 2012

Barack Obama será reeleito

Amanhã os americanos vão às urnas para eleger seu presidente e se for para acreditar a cobertura aqui no Brasil a disputa entre o atual presidente, Barack Obama, e seu oponente, Mitt Romney, está acirradíssima.

Basta uma análise um pouco mais profunda das pesquisas de opinião e do processo eleitoral americano, porém, para perceber que esta eleição já foi praticamente decidida. E Romney já pode cancelar a mudança, porque na Casa Branca, ele não entra.

Sim, Obama e Romney estão praticamente empatados no voto popular, mas não é o voto popular que elege presidentes nos EUA. Em vez disso, os americanos usam um colégio eleitoral.

No sistema do colégio eleitoral, cada estado é atribuído um número de delegados de acordo com sua população e são eles que elegem o presidente. O candidato que ganhar uma maioria dos votos em um determinado estado, leva TODOS seus delegados.

Agora imagine que os EUA só tivessem três estados: Texas (com 38 delegados), Nova Iorque (29) e Ohio (18). Ninguém dúvida que a maioria dos eleitores do conservador estado de Texas irá votar em Romney. Igualmente, seria uma surpresa de proporções astronômicas se Obama não levasse os delegados de Nova Iorque. O único estado que realmente está em jogo, é Ohio. Quem ganhar a votação neste “Swing State”, não importa se for por só um voto, leva todos seus 18 delegados e ganha a eleição.

E aí está a questão, no mundo real Obama lidera ou empata as pesquisas de opinião em quase todos os “swing states”. A única esperança que Romney tem de se tornar o homem mais poderoso do planeta, é se quase todas as pesquisas em quase todos os estados estiverem erradas. (uma chance que o estatístico Nate Silver coloca em menos de 15%).

Ou seja, esta eleição esta tão acirrada quanto o segundo turno para prefeito em São Paulo.

segunda-feira, 2 de julho de 2012

Se beber, não dirija! peça carona a Google

Conhecem a lei de Moore? Ela dita que a cada 2 anos, o poder de computação de nossos chips dobra. É por causa dela que hoje carregamos um computador no bolso que há 50 anos ocupava um andar de prédio. Nossas máquinas estão cada vez mais sofisticadas.

E seu iPhone ainda não é nada, prepare-se para uma verdadeira enxurrada de maravilhas tecnológicas que vem por aí.

Quer um exemplo? A Google já esta há alguns anos envolvida com carros. Isso mesmo, carros.

Assista este vídeo demonstrando este pequeno milagre tecnológico e contemple esta informação relacionada: O município de Las Vegas aprovou recentemente uma lei que permite carros sem motoristas nas ruas.


terça-feira, 26 de junho de 2012

Os melhores países para estudar fora

Ter alguma experiência no exterior é uma grande vantagem para quem procura um bom emprego. E existe maneira melhor para adquirir essa experiência internacional do que um curso fora do Brasil?

Então, qual seria o melhor país para tirar aquele MBA executivo? Para fazer aquele curso de extensão?

É importante escolher um país com uma sólida reputação acadêmica. Querendo ou não, um curso nos Estados Unidos vai ter mais cacife que um na Guatemala, por exemplo.

Para ajuda-lo nesta escolha, apresento uma pequena lista com os países com as mais fortes instituições universitárias, baseado na lista das 100 melhores universidades do mundo da Times Higher Education:

  1. Estados Unidos (44 citações)
  2. Reino Unido (10 citações)
  3. Holanda e Japão (5 citações)
  4. Austrália, França e Alemanha (4 citações)
  5. Hong Kong, Suécia, Canadá e Suíça (3 citações)
  6. Singapura, Côrrea do Sul, China e Israel (2 citações)
  7. Bélgica, Turquia, Taiwan e, com a USP, Brasil (1 citação)

Agora é só encontrar a instituição com o melhor custo benefício. Boa sorte!

quarta-feira, 30 de maio de 2012

O QUE SÃO SuperPACs

O Center for Responsive Politics prevê que, antes de novembro, serão gastos 6 bilhões de dólares pelas diversas campanhas nas eleições americanas.

Este valor astronômico se deve em grande parte a uma decisão da Suprema Corte Americana, permitindo contribuições ilimitadas para campanhas políticas.

A decisão criou uma situação bizarra, pois ainda existe uma regra proibindo contribuições diretas de empresas à candidatos.

Ou seja, organizações podem contribuir ilimitadamente, mas não diretamente ao candidato que apoiam.

O que fazer?

Simples, apoiando uma causa política.

Assim surgiram os chamados SuperPACs. PAC, na sigla em inglês, significa Comitê de Ação Política e eles são mesmo Super, pois podem aceitar contribuições ilimitadas.

E para estes SuperPACs não existe causa melhor do que destruir a imagem do oponente de seu candidato.

Tom Toles, o cartunista do Washington Post, ilustra bem seus sentimentos com a chegada das eleições presidenciais em seu país:


sexta-feira, 25 de maio de 2012

Empresas perdem exigindo demais de funcionários

Sempre me surpreendi com as relações de trabalho no Brasil, tanto com o abuso imposto pelos empregadores, como com a resignação da grande maioria dos funcionários.

Trabalhar até à meia noite sem receber hora extra? Normal.

O final de semana também? Por que não?

Uma carga de trabalho absurda sob a constante ameaça de demissão? De praxe.

O pensamento vigente parece ser: se você não quiser, tem quem queira.

E quem ganha espremendo o funcionário até o bagaço? A empresa?

Muito ao contrario! No livro Wellbeing: The Five Essential Elements (Bem estar, os cinco elementos essenciais) dois pesquisadores da Gallup comprovam que maltratar os funcionários prejudica o resultado da empresa.

Empresas com funcionários infelizes e estressados têm custos muito mais elevados com saúde e faltas, dificuldades em atrair e manter talentos e uma produtividade inferior. Maltratar funcionários, portanto, prejudica o resultado das empresas.

O livro deveria ser leitura obrigatória de todo executivo em posição de liderança no Brasil. Quem sabe eles abraçam a ideia e largam o chicote.

(Leia aqui a entrevista em inglês com os autores)

sábado, 12 de maio de 2012

RENASCENÇA 2.0

Quem Galileu procurava para conselhos? Onde ele encontrava inspiração para dar sentido às estranhas trajetórias orbitais que ele observava? No século 16 havia poucos gigantes da Ciência nos ombros dos quais ele pudesse se apoiar e a maioria estava morta e enterrada. Além disso, eu estou bem seguro, a biblioteca da Universidade de Pádua não tinha uma conexão de internet.

Mesmo assim, somente pela observação meticulosa e o raciocínio frio, o astrônomo e matemático italiano mudou para sempre a visão do mundo de toda a humanidade e, como bônus adicional, conseguiu enfurecer um bando de fundamentalistas. Isso é o que um homem dedicado pode fazer através da aplicação cuidadosa do método científico.

Agora imagine centenas, milhares, não, milhões de Galileus vivendo ao mesmo tempo, trocando e debatendo ideias, atacando problemas diferentes através de métodos semelhantes e vice-versa, inspirando um ao outro, competindo e cooperando.

Este é o mundo em que vivemos, hoje!

Só no Brasil há um exército de pesquisadores se dedicando à ciência. Eu sei porque todo mês corrijo o inglês de artigos científicos das áreas mais diversas: Nanotecnologia, Biologia, Genética, Medicina, Engenharia.

É o poder da razão humana multiplicado. Um poder verdadeiramente imponente, às vezes até um pouco assustador.

Considere, por exemplo, o campo da neurociência. Atualmente, dezenas de milhares de pesquisadores em todo o mundo estão seguindo centenas de caminhos diferentes com um único objetivo: compreender o funcionamento do cérebro humano. Eles estão escaneando o conteúdo de nossos crânios com instrumentos cada vez mais sofisticados, eles estão cultivando neurônios em placas de Petri, eles estão conectando cérebros de animais a robôs, eles estão construindo modelos computadorizados de regiões específicas do cérebro, etc, etc. Quando um caminho chega a um impasse, outro força um grande avanço. O ímpeto coletivo é esmagador, imparável.

Galileu, Da Vinci e alguns poucos cientistas e artistas espalhados pela Europa medieval nos libertaram da idade das trevas. Nossa própria Renascença, porém, promete ser muito mais profunda.

segunda-feira, 9 de abril de 2012

Os 3 erros mais comuns em currículos

Já li muita coisa estranha nestes longos anos traduzindo currículos para o inglês, incluindo um cidadão que achou adequado listar todos os cachorros que já possuiu. Porque isto seria relevante para um cargo na área de logística, continua sendo um daqueles grandes mistérios da vida.

Porém, além dessas bizarrices pontuais, existem alguns erros que se repetem com tanta frequência nos CVs, que resolvi fazer uma pequena lista de coisas a evitar:

1 EVITE QUALIFICAÇÕES SUBJETIVAS

Você é flexível e dinâmico, focado em resultados e comprometido e - outro clássico - proativo? Parabéns amigo, é só você e a torcida do Corinthians.

Recrutadores estão cansados de ler estas qualificações subjetivas e elas contribuem pouco ou nada a seu currículo. Em um currículo, o importante não são as qualidades que você acha que possui, mas as qualidades que você pode demonstrar baseado nas suas experiências e seus resultados.

Da próxima vez, portanto, que você sentir o impulso de escrever que você tem ótimo relacionamento interpessoal – o maior chavão de CVs hoje em dia – pare e reflita:

Por que eu tenho um ótimo relacionamento interpessoal? Qual experiência ou resultado no meu histórico demonstra está habilidade?

É a resposta concreta, e não a qualificação subjetiva, que você deve colocar no seu currículo:

Não diga  "sou dinâmico", mas: "trabalhei em vários departamentos de empresas multinacionais e nacionais".

Não diga "tenho bom relacionamento interpessoal", mas: "gerenciei times heterodoxos".


2. SEJA CLARO E CURTO

Gente, é um currículo e não uma obra enciclopédica sobre sua vida. Se seu currículo tem mais de três paginas, ele está longo demais.

Corte informação irrelevante, como hobbies e interesses, sua escola de segundo grau ou creche (sério, tem gente que coloca).

Não repita informações. Se você já escreveu que você gerenciou uma equipe de engenheiros no item “qualificações”, não precisa repetir isso mais dez vezes no seu histórico profissional.

Use frases curtas. Não abuse do particípio e do gerúndio.

3. EVITE JARGÃO

Essa dica é voltada especialmente para nossos amigos da engenharia e da TI. 

Você pode achar que a seguinte frase é compreensível: “gestor PMO implementando práticas PMBOK, com foco nos KPIs em projetos de TI usando C/C++ em um ambiente LINUX”.

A maioria, porém, se sente totalmente perdida diante desta sopa de letras. Por favor, explique o que você faz em língua de gente, para nós, pobres mortais!

terça-feira, 27 de março de 2012

O monstro de estimação do partido Republicano

Em 2008 o partido Republicano perdeu tudo: a Câmara dos Deputados, o Senado e a Presidência dos Estados Unidos. Em vez de refletir sobre as causas desta derrota – a gestão desastrosa de George W. Bush, por exemplo – os Republicanos decidiram reverter a uma velha estratégia, pois era uma estratégia que já havia funcionado varias vezes no passado. O partido iria opor tudo que fosse proposto pelos Democratas, sem distinção, e apelar para o medo e racismo da classe média branca nos estados sulistas e no interior dos Estados Unidos.

Foi assim que tiraram seu velho monstrinho do armário, apelidaram-no de “Tea Party” e lançaram-no ao mundo menos de um mês após a posse de Barack Obama.

E o monstrinho foi crescendo. “Vamos retomar nosso país”, gritava. “Barack Hussein Obama não é um verdadeiro Americano, mas um agente mulçumano infiltrado”, delirava. “O plano de estimulo a economia é parte dum esquema para fazer dos Estados Unidos uma nação socialista”. E assim por diante.

Em 2010 a velha estratégia parecia estar funcionando. Impulsionados pela energia raivosa do Tea Party e a decepção generalizada com o fraco desempenho da economia, os Republicanos proferiram uma derrota esmagadora ao partido Democrata e retomaram a Câmara dos Deputados.

Mas aí uma coisa curiosa aconteceu.

A elite do partido Republicano sempre entendeu que em uma eleição presidencial, candidatos radicais têm poucas chances de sucesso. Por isso montaram seus planos para derrotar Barack Obama em volta da candidatura de um gestor de empresas, o moderado Mitt Romney. Estava tudo encaminhado para retomar a Casa Branca. Só um problema: o monstro já não obedecia mais.

Nas prévias para a eleição presidencial, Romney enfrenta três candidatos: um fundamentalista cristão, um oportunista com um histórico de desvios morais e éticos e um libertário que, se tivesse a chance, acabaria com as proteções sociais e abraçaria o capitalismo selvagem do século 19. Nenhum deles tem a mínima chance de derrotar Obama em novembro. 

Deveria ser uma vitória simples para Romney, mas o monstro não quer saber, ele só dará seu selo de aprovação para um candidato ultraconservador. Por isso, Romney está sendo forçado a adotar posições cada vez mais conservadoras e isso vai prejudica-lo muito na eleição geral em novembro. 

O Tea Party, que foi solto pelos Republicanos para atacar seus inimigos, vai acabar dando a vitória de mãos beijadas para Obama. Se isso não for ironia, não sei o que é